Javier Heraud Traduzido




Apresentação

O rio chamado Javier Heraud Pérez entregou-nos a poesia delicada e voraz, o rio da respiração humana, oscilando entre alma e as pulsações, encantando-nos com as cesuras belíssimas e com o fluxo determinado, limpo e ao mesmo tempo bravejante e, para a vida plena e merecida, convidando-nos.

Tive a inusitada oportunidade de conhecer o Perú, de certa maneira de Puno até Tumbes entre 1987 e 1988. As viagens empreendidas e o contato com as pessoas que conheci, além de toda a minha experiência em outros países da América do Sul, em um momento crucial: um jovem poeta de 17, 18 anos tentando abrir os olhos para a diversidade e permeável para as transformações propostas por esse enlace, foram determinantes para todos os outros enredos, poéticos e vivenciais porém, apenas alicerce para o contato e apreciação da poesia sensível e notadamente revolucionária de Javier Heraud. O contexto permite e produz a sensação e o perceber de nossas intervenções como artistas, como pessoas que não negam sua posição de artífices da vida em cada um de seus momentos. Assim, naquela tarde de 2007, quando tive contato com o poema "Yo no me río de la muerte" de Heraud, senti ecoada a voz significativa de um Grande Poeta que nunca renunciou ao direito de defender o fluxo da vida, este rio que nos torna semelhantes e nos convida para sermos o mar da unicidade, da integração e para transformarmos o pouco perene que se esvai entre os dedos como areia pelo muito entre todos e que nos eterniza como seres plenamente humanos.

Julio Almada
Curitiba, Brasil, julio 2010.

 


Presentación

El río llamado Javier Heraud Pérez nos ha entregado la poesía delicada y voraz, el río de la respiración humana, oscilante entre el alma y las pulsaciones, encantándonos con las hermosas cesuras y con el fluir determinante, limpio y a la vez rugiente, invitándonos a una vida plena y merecida.

Tuve la oportunidad inusitada de conocer el Perú, puedo decir, desde Puno hasta tumbes en los años 1987 y 1988. Los viajes y el contacto con las personas que conocí, además de mis experiencias en otros países de Sudamérica ocurrieron en un momento crucial: un joven poeta de 17-18 años intentando abrir los ojos a la diversidad cultural y  permeable a los cambios propuestos por ese enlace, fueron determinantes para todas las otras historias, poéticas y vivenciales, constituyéndose en sólo un punto de partida para el contacto y disfrute de la poesía sensible y notablemente revolucionaria de Javier Heraud. El contexto permite y produce la sensación y la percepción de nuestras intervenciones como artistas, como personas que no niegan su puesto de artífices de la vida en cada uno de sus momentos. Así que en aquella tarde de 2007, cuando entré en contacto con el poema “Yo no me río de la muerte”, sentí como un eco la voz llena de significación de un poeta que nunca renunció al derecho de defender el fluir de la vida, este río que nos vuelve semejantes y nos invita a que seamos el mar de la unidad, de la integración y a transformar todo lo que está constantemente escurriéndosenos entre los dedos, como si fuese arena, en lo mucho para todos y que nos perpetúa como seres humanos a cabalidad.

Julio Almada

Curitiba, Brasil, julio 2010.


---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

1
Eu Sou um Rio,
Vou descendo Pelas
pedras largas,
Vou descendo Pelas
Rochas duras,
Por um Sendeiro
Desenhado pelo vento.
Há árvores ao meu
Redor sombreados
Pela chuva.
Eu sou um rio,
Desço cada vez mais
Furiosamente,
Mais violentamente
Desço
Cada vez que uma
Poente me reflete
Em seus arcos.





2  
Yo soy un río  
un río  
un río  
cristalino en la  
mañana.  
A veces soy  
tierno y bondadoso. Me  
deslizo suavemente  
por los valles fértiles,  
doy de beber miles de veces  
al ganado, a la gente dócil.  
Los niños se me acercan de  
día,  
y de noche trémulos amantes  
apoyan sus ojos en los míos,  
y hunden sus brazos  
en la oscura claridad  
de mis aguas fantasmales.  



2

Eu Sou um Rio
Um Rio
Um Rio
Cristalino pela
Manhã.
Às vezes Sou
Terno y bondoso.
Deslizando suavemente
Pelos vales férteis,
Dou de beber milhares de vezes
Ao gado, à gente dócil.
As crianças se aproximam de
Día,
E de noite trêmulos amantes
Apoiam seus olhos nos meus,
E fundem seus braços
À escura claridade
De minhas águas fantasmagóricas.





3  
Yo soy el río.  
Pero a veces soy  
bravo  
y  
 fuerte,  
pero a veces  
no respeto ni la  
vida ni la  
muerte.  
Bajo por las  
atropelladas cascadas,  
bajo con furia y con  
rencor,  
golpeo contra las  
piedras mas y mas,  
las hago una  
a una pedazos  
interminables.  
Los animales  
huyen,  
huyen huyendo  
cuando me desbordo  
por los campos,  
cuando siembro de  
piedras pequeñas las  
laderas,  
cuando  
inundo  
las casas y los pastos  
cuando  
inundo  
las puertas y sus  
corazones,  
los cuerpos y  
sus  
corazones.  

3
Eu sou o Rio.
Mas às vezes sou
Bravo
E
Forte,
Mas às vezes
Não respeito nem a
Vida nem a
Morte.
Desço pelas
Atropeladas cascatas,
Desço com fúria e com
Rancor,
Golpeio as
Pedras mais e mais,
As Faço Uma
a uma
em pedaços
intermináveis.
Os animais
Fogem,
Fogem fugindo
Quando transbordo
Pelos campos,
Quando semeio con
Pedras pequenas as
Ladeiras,
Quando
Inundo
As casas e os pastos
Quando
Inundo
As portas e seus
Corações,
Os corpos e
Seus
Corações.

4  
Y es aquí cuando  
mas me precipito.  
Cuando puedo llegar  
a  
los corazones,  
cuando puedo  
cogerlos por la  
sangre,  
cuando puedo  
mirarlos desde  
adentro.  
Y mi furia se  
torna apacible,  
y me vuelvo  
árbol  
y me estanco  
como un árbol,  
y me silencio  
como una piedra,  
y callo como una  
rosa sin espinas.  



4
E este é o lugar
onde corro mais.
Quando posso chegar
Até
Os corações,
Quando posso
Segurá-los pelo
Sangue,
Quando posso
Olhá-los desde
Dentro.
E minha Fúria se
Torna aprazível,
E torno-me
Árvore
E me estanco
Como árvore,
Silenciando-me
Como uma pedra,
E calo como uma
Rosa sem espinhos.






 
5  
Yo soy un río.  
Yo soy el río  
eterno de la  
dicha. Ya siento  
las brisas cercanas,  
ya siento el viento  
en mis mejillas,  
y mi viaje a través  
de montes, ríos,  
lagos y praderas  
se torna inacabable.  




5
Eu sou um Rio.
Eu sou o rio
Eterno da
Felicidade.já sinto
As brisas próximas,
Já sinto o vento
Em minhas bochechas,
E minha viagem por entre
Os montes,rios,
Lagos e Pastagens
Torna-se interminável.
  



6.  
Yo soy el río que baja en las riberas,  
              árbol o piedra seca  
yo soy el río que viaja en las orillas  
              puerta o corazón abierto  
yo soy el río que viaja por los pastos  
              flor o rosa cortada  
yo soy el río que viaja por las calles,  
              tierra o cielo mojado  
yo soy el río que viaja por los montes  
              roca o sal quemada  
yo soy el río que viaja por las casas  
              mesa o silla colgada  
yo soy el río que viaja dentro de los hombres,  
              árbol fruta  
              rosa piedra  
              mesa corazón  
              corazón y puerta  
              retornados.  


6

Eu sou o rio que desce pelas ribeiras,
Árvore ou pedra seca
Eu sou o rio que viaja nas margens
Porta ou coração aberto
Eu sou o rio que viaja pelos pastos
Flor ou rosa cortada
Eu sou o rio que viaja pelas ruas,
Terra ou céu molhado
Eu sou o rio que viaja pelos montes
Rocha ou sal quemada
Eu sou o rio que viaja pelas casas
Mesa ou cadeira erguida
Eu sou o rio que viaja dentro dos homens,
Árvore fruta
Rosa pedra
Mesa coração
Coração e porta
Repatriados.


 


 
7  
Yo soy el río que canta  
al mediodía y a los  
hombres  
que canta ante sus  
tumbas,  
el que vuelve su rostro  
ante los cauces sagrados.  


7

Eu sou o rio que canta
ao meio dia e aos
homens
que canta ante suas
tumbas,
o que volta seu rosto
ante os leitos sagrados.
  



8  
Yo soy el río anochecido.  
Ya bajo por las hondas  
quebradas  
por los ignotos pueblos  
olvidados,  
por las ciudades  
atestadas de publico  
en las vitrinas.  
Yo soy el río,  
ya voy por las praderas  
hay arboles a mi alrededor  
cubiertos de palomas,  
los arboles cantan con  
el río,  
los arboles cantan  
con mi corazón de pájaro,  
los ríos cantan con mis  
brazos.  



8
Eu sou o rio anoitecido.
Já desço pelas fundas
Quebradas
Pelos ignotos povoados
Esquecidos,
Pelas cidades
Lotadas de público
Nas janelas.
Eu sou o rio,
Já vou pelas pastagens
Há árvores ao meu redor
Cobertas de pombas,
as árvores cantam com
O rio,
As árvores cantam
Com meu coração de pássaro,
Os rios cantam com meus
Braços.



  
9  
  
Llegara la hora  
en que tendré que  
desembocar en los  
océanos,  
que mezclar mis  
aguas limpias con sus  
aguas turbias,  
que tendré que  
silenciar mi canto  
luminoso,  
que tendré que acallar  
mis gritos furiosos al  
alba de todos los días,  
que clarear mis ojos  
con el mar.  
El día llegara,  
y en los mares inmensos  
no veré mas mis campos  
fértiles,  
no veré mas mis arboles  
verdes,  
mi viento cercano,  
mi cielo claro,  
mi lago oscuro,  
mi sol  
mis nubes,  
ni veré nada,  
nada,  
únicamente el  
cielo azul  
inmenso  
y  
todo se disolverá en  
una llanura de agua,  
solo serán un canto o un poema mas  
solo serán ríos pequeños que bajan,  
en mis nuevas aguas luminosas,  
en mis nuevas  
aguas  
apagadas.  
  
                                 (Lima 1960)  


9

Chegará a hora

Em que terei que

Desembocar nos

Oceanos,

Que mesclar minhas

Águas limpas com suas

Águas turvas,

Que terei que

Silenciar meu canto

Luminoso

Que terei que calar

Meus gritos furiosos na

Madrugada de todos os dias,

Que aclarar meus olhos

Com o mar.

O dia chegará,

E nos mares imensos

Não verei mais meus campos

Férteis,

Não verei mais minhas árvores

Verdes,

Meu vento próximo,

Meu céu claro,

Meu lago escuro,

Meu sol

Minhas nuvens,

Nem verei nada,

Nada,

Unicamente o

Céu azul

Imenso

E

Tudo se dissoverá em

Uma planície de água,

Só serão um canto ou um poema mais

Só serão pequenos rios que descem,

Em minhas novas águas luminosas,

Em minhas novas

Águas

Apagadas.

(Lima 1960)

Tradução do Poema El Río de Javier Heraud Pérez por Julio Urrutiaga Almada

Comentarios

Entradas populares